'Cacete nessa vereadora malandra': após fala ofensiva de prefeito de Goiânia contra Aava Santiago, vereadora diz que irá denunciar Mabel
27/10/2026
(Foto: Reprodução) Prefeito Sandro Mabel ataca Aava Santiago após coletiva sobre taxa do lixo em Goiânia
A vereadora Aava Santiago (PSB) anunciou que vai abrir uma queixa-crime contra o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), após fala ofensiva dele durante uma coletiva de imprensa sobre a taxa do lixo. Na ocasião, o prefeito chamou a vereadora de "inconsequente" e disse "cacete nessa vereadora malandra" (veja acima).
A queixa-crime foi anunciada nesta segunda-feira (26), durante a prestação de contas do segundo quadrimestre de 2026, na Câmara Municipal de Goiânia. O g1 entrou em contato com a assessoria do prefeito e não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Anteriormente, quando quando questionada sobre as falas de Mabel, a prefeitura disse que não iria se posicionar sobre esse assunto. Em resposta, o prefeito pediu desculpas para a vereadora pela fala ofensiva durante a coletiva de imprensa e disse que não foram ditas em público.
"A expressão que eu fiz foi uma expressão de desabafo. Nem sei se eu falei, mas se eu falei. Então, quero pedir desculpas porque eu falei intimamente, eu não falei publicamente. Alguém que gravou isso, às vezes esses microfoninhos que a gente anda pode ter gravado. Não tenho a impressão que a senhora é malandra, de jeito nenhum", declarou o prefeito.
Prefeito Sandro Mabel ataca Aava Santiago após coletiva sobre taxa do lixo em Goiânia: 'Cacete nessa vereadora malandra'
Diomício Gomes/O Popular - Lincoln Leão
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Em sua fala, a vereadora citou o episódio da fala do prefeito e pediu para o prefeito não pessoalizar "com uma parlamentar as suas análises políticas sobre um processo judicial". Aava explicou ainda que a fala ofensiva de Mabel ocorreu em decorrência da ação que ela entrou no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).
"Imagino que o senhor não se referiria assim a nenhum dos 14 desembargadores que concordaram com a tese que nós apresentamos, mas o senhor se referiu a mim dessa maneira", declarou na tribuna. A vereadora citou ainda que o prefeito processou o deputado Clécio por chamá-lo de "malandro".
"Hoje ainda, nós entraremos com essa queixa-crime por calúnia, ameaça e todos os outros delitos que possam estar contidos nas falas de Vossa Excelência", finalizou.
Taxa do lixo
Em dezembro de 2024, o então prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Solidariedade), sancionou a lei que instituia a Taxa de Limpeza Pública, conhecida como "Taxa do Lixo". A legislação estabelecia cobranças anuais por domicílio, com valores variando entre R$ 258 e R$ 1,6 mil. No ano seguinte, tramitou na Câmara Municipal um projeto de lei, apresentado pelo vereador Lucas Vergílio (MDB), que revogava a lei da Taxa da Limpeza Pública (TLP) em Goiânia.
O referido projeto da revogação chegou a ser arquivado pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), mas voltou após recurso apresentado pelo Plenário. A proposta foi aprovada pela Câmara, mas foi vetada integralmente por Mabel em janeiro de 2026.
Ao vetar o fim da taxa, o prefeito justificou que é contrário à extinção da cobrança, pois a proposta é inconstitucional, visto que não prevê o impacto no orçamento da capital. O prefeito afirmou ainda que a legislação federal de saneamento básico admite a cobrança de taxas para serviços de limpeza urbana para a sua sustentabilidade econômico-financeira.
Após a vereadora Aava Santiago procurar a Justiça para julgar a cobrança, o processo na Justiça iniciou em dezembro de 2024, quando a taxa foi sancionada. O julgamento teve início em setembro deste ano, 2026, mas foi suspenso após pedido de vista por um dos desembargadores. Neste mês de outubro, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) considerou a fórmula de cálculo da taxa do lixo em Goiânia inconstitucional.
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